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Vista do Rio Guadiana a partir de Juromenha, concelho do Alandroal

Alentejo. Concelho do Alandroal. Ali nasceu uma aldeia há largas centenas de anos, que os locais insistem em chamar de vila.

Abandonada, triste, deserta. Qualificativos que pertencem ao passado. Agora, Juromenha rejuvenesce, ganha dinâmica sem que encontremos uma razão clara e objectiva para isso. Nem mesmo o Alqueva justifica este súbito desenvolvimento.

Mas é isso o que está a acontecer. Jovens empresários atreveram-se e estão a investir milhares de euros naquele local. Unidades de alojamento que abrem, a restauração que oferece aos visitantes pratos alentejanos feitos como se se estivesse em casa… sim, os sabores, os aromas, e com uma paisagem e um espaço que apela aos sentidos. Saber estar, usufruir, contemplar.

Alqueva não é alheia ao que por ali se passa, dizem alguns habitantes. Mas a albufeira já encheu há alguns anos e o rio, por essa via, alargou imenso naquele local afastando as margens entre Espanha e Portugal, é certo, mas tornando bem mais agradável a paisagem que se vislumbra dos mais variados pontos.

Juromenha, tem pouco mais de 150 habitantes. Com o Rio Guadiana a seus pés, do outro lado, os verdejantes campos da vizinha Espanha clamam por maior competição. Sim, na área económica. Os espanhóis têm, aparentemente, regras menos apertadas e são mais ágeis a fazer. Basta referir que do lado de cá ainda não se conseguiu fazer uma praia fluvial e do outro lado, não só há praia como existe um clube naútico, entre outras iniciativas.

Alojamento – o maior investimento

Primeiro, começou por ser uma casa de fim-de-semana quando a comprou há seis anos. Luis Grave era o proprietário de uma das mais conhecidas pastelarias de Elvas que fica a 16 km’s de Juromenha. Depois de 19 anos no sector com fabrico próprio de pão e bolos, quis mudar. Vendeu a empresa e olhou para o crescente movimento turístico que também aquela região está a conhecer.

Luis Grave, das Casas de S. Lázaro

Contíguas àquele que era o seu espaço de descanso, estavam outras duas casas a necessitarem de reabilitação. Surgiu a oportunidade de negócio e Luis permutou essas casas com um outro imóvel que tinha em Elvas. A ideia inicial era que cada um dos seus filhos ficasse com uma habitação. Mas depois a decisão alterou-se com o acordo da família. Transformar os imóveis em alojamento local. E assim foi. Hoje, as “Casas de S. Lázaro”, assim foram baptizadas devido à localização que é conhecida por esse nome, estão quase a abrir ao público. São sete quartos no total. Mas o aluguer vai ser feito por casa. Ou seja, quem quiser passar uns dias em Juromenha, pode alugar um dos imóveis. “A ideia é que quem vier se sinta completamente em casa”, disse à “Empreendedores” Luis Grave justificando assim a decoração e o equipamento que colocou em cada uma das residências. De facto, ali não falta nada, incluindo peças artesanais que o próprio Luis construiu. Um passatempo de que não abdica já desde há muito, confessou à nossa reportagem. Conforto e tranquilidade são duas notas a reter num investimento de vários milhares de euros feito com capitais próprios.

As casas têm ainda um jardim e uma piscina que são comuns.

Domingos Coruche é outro empreendedor. Com raízes em Juromenha onde passava largos períodos da sua infância com os avós, investiu também em alojamento local. “Há muito que queria comprar uma casa cá ”, justificou. Foi em Maio de 2015 que abriu a “Casa Central” assim se chama a unidade que criou. A experiência foi tão interessante que no fim do Verão do primeiro ano de actividade, “comprei a casa da frente. E este ano propuseram-me tomar conta de um monte”. E não há mãos a medir. Clientes que telefonam, outros que partem enquanto outros estão a chegar. É preciso limpar, mudar roupas de cama e banho, entre outros afazeres próprios deste tipo de negócio.

Domingos Coruche junto da entrada de uma das suas unidades de alojamento em Juromenha

Domingos é empresário na área da topografia e infra-estruturas em Évora e divide-se, com a mulher, entre aquela cidade e a Juromenha. A segunda casa que adquiriu tem as obras concluídas e o equipamento instalado e teve os primeiros hóspedes em Agosto passado. “O que fiz foi reinvestir tudo o que ganhei”, é assim que nos explica a rapidez com que está a constituir património na família.

Na “Casa Central”, os clientes podem alugar a casa inteira que tem 4 quartos e está toda equipada ou então quarto a quarto. “ Se fôr a casa toda, que permite alojar até 9 pessoas, são 160 euros, depende da época. Os preços têm alterações em função da altura do ano”, refere o empresário, à semelhança do que se passa na generalidade da hotelaria. Os quartos oscilam entre os 35 e os 60 euros, também conforme a época. O Monte tem 3 quartos disponíveis.

Casas de Juromenha

Mas o pioneiro do alojamento naquela localidade, foi Miguel Pereira Coutinho. O empresário, ligado, também, à produção agrícola, criou há seis anos as “Casas de Juromenha”. Um pequeno empreendimento, com uma invejável localização à beira rio.

São cinco as casas para alugar mais a casa principal onde foi instalada a recepção. Posicionada num segmento mais elevado, o empreendimento tem preços que variam entre os 120 e os 165 euros por casa no verão e os 75 e 120 na época baixa. Um investimento ainda não recuperado mas que tem taxas de ocupação na ordem dos 80% na época alta e fora desta são os fins-de-semana que registam forte afluência.

A oferta de lazer, integra, além da piscina com vista para o Guadiana, passeios de cayaque e de barco e existem ainda percursos pedestres.

E são os passeios de barco, uma das actividades do casal que se lançou na exploração de um restaurante. O “Pata Larga” nasceu de uma história de amor. A chef trabalhava no Convento de S. Paulo, na Serra d’Ossa. Lá conheceu o agora marido que por lá ia fazendo passeios de barco já que aquele local é um dos braços da barragem do Alqueva.

Janete Pepe, a chef do Pata Larga

As visitas a Juromenha acabaram por os fazer decidir. O espaço estava fechado, tinha sido uma antiga tasca, e tal como muitas das casas de habitação, tudo estava ao abandono. Arriscaram e hoje o “Pata Larga” começa a ser uma referência e por isso lugar a visitar. É verdade que a oferta não é muita, há mais um restaurante no local que estava fechado quando a “Empreendedores” visitou a localidade, mas porque comida mais caseira não há. Janete Pepe e o marido mudaram-se para Juromenha e não se queixam. Até agora o negócio corre bem e até um herdeiro já nasceu em Agosto, sinal de que os ares do Rio fazem bem à alma.

A Fortaleza de Juromenha

Se é verdade que o investimento hoteleiro está em alta, incluindo o da restauração (ver sugestão de lazer), a Fortaleza de Juromenha que impera lá do alto sobre o Rio, continua abandonada e a ruir. Aquela que poderia ser uma atracção adicional para visitar a região tem um percurso de “vai não vai” que a tem deixado como está actualmente: sem futuro. Ver texto aqui.

Quando se fala na desertificação do interior, é mais correcto falar de despovoamento. É isso que tem acontecido, as populações migram à procura de modos de vida mais sustentáveis. Mas a resiliência dos que ficam ou os que descobrem outros locais e formas de vida, permitem que o denominado “interior” possa criar condições de subsistência. É verdade que os tempos são outros, a disponibilidade para viajar é maior e a procura de vivências noutros territórios, também contribuiu para este desejado crescimento. As unidades de alojamento que referimos nesta peça já criaram postos de trabalho. E tudo aponta para que não fiquem por aqui.

Contactos

Casas de S. Lázaro – telefone 96.870 91 28

Casa Central – telefone 969 856 922 – facebook.com/casacentral20

 

 

 

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